Fase 3: Escala
A terceira fase é a do crescimento explosivo. O produto encontrou seu mercado, o uso cresce mais rápido do que a infraestrutura foi feita para aguentar, e o time passa de um grupo que cabe numa sala para uma organização com camadas. A atribuição que domina esta fase é escalar duas coisas ao mesmo tempo, a infraestrutura e as pessoas, e o CTO deixa de gerir engenheiros para gerir quem gere engenheiros. Vira, na expressão consagrada, um gestor de gestores.
É também a fase em que o cargo se bifurca. Até aqui, CTO e VP de Engenharia eram a mesma pessoa; a partir daqui, a escala torna a separação quase inevitável, com o CTO gravitando para a visão técnica e o horizonte mais longo e um VP de Engenharia recém-criado assumindo a operação do dia a dia. Essa fronteira tem um capítulo próprio, porque entender onde um termina e o outro começa é boa parte de sobreviver a esta fase.
O que o CTO faz nesta fase
Section titled “O que o CTO faz nesta fase”- Escala infraestrutura e time em paralelo. Sustenta o crescimento de uso reescalando a arquitetura e, ao mesmo tempo, multiplicando o número de engenheiros sem que a coordenação desande.
- Vira gestor de gestores. Deixa de gerir individualmente e passa a liderar através de uma camada de líderes técnicos, o que muda a unidade de trabalho de tarefa para time.
- Constrói o pipeline de contratação. Como recrutar vira gargalo nesta fase, monta um processo de seleção de múltiplos estágios que consiga trazer gente boa no ritmo que o crescimento exige.
- Define padrões, cultura e workflows. Estabelece os padrões de código, a cultura de engenharia e os processos de desenvolvimento que permitem a muitos times trabalharem sem colidir.
- Paga a dívida herdada do MVP. Lida com o código legado que veio dos tempos do protótipo e agora atrapalha, decidindo o que reescrever e quando.
- Controla o custo da operação. Passa a olhar o gasto de infraestrutura e nuvem como uma variável a gerir, não mais como um detalhe irrelevante diante da urgência de crescer.
Nesta fase, o sucesso já não se mede pelo que o CTO produz, e sim pelos resultados do time e pela saúde da organização de engenharia. É uma régua diferente da das duas fases anteriores, e a dificuldade está em internalizá-la: contribuições que antes eram o trabalho agora são distração.
A armadilha da fase
Section titled “A armadilha da fase”A armadilha característica da escala é de encaixe entre a pessoa e o momento. Uma empresa que precisa de um CTO gestor e mantém no cargo um construtor, alguém que insiste em resolver os problemas pessoalmente em vez de montar a organização que os resolve, acumula dívida técnica e problemas de escalabilidade que só aparecem quando já são caros. É o espelho da armadilha da Fase 1: lá o risco era gerir cedo demais, aqui é construir tempo demais. E há a variante do gargalo, que reaparece amplificada: numa organização com camadas, um CTO que exige que toda decisão relevante passe por ele não desacelera um time, desacelera vários.
Palavras-chave
Section titled “Palavras-chave”Atribuições: escalar infra e time, gestor de gestores, pipeline de contratação, padrões e cultura, dívida técnica herdada, custo de nuvem Contexto: séries B e C, scale-up, crescimento explosivo, organização com camadas Bifurcação: separação entre CTO e VP de Engenharia Armadilha: construtor quando precisa de gestor, gargalo de decisão Fonte: Kenneth Lange, valcker, ai-infra-link